Falta pouco para largarmos para a primeira regata do Troféu das Ilhas 2024. Mais ou menos esta hora na próxima sexta-feira, estaremos nos alinhando para o primeiro desafio de nosso último campeonato deste ano.
E o primeiro barco a cruzar a linha de chegada da regata de abertura do evento vai levar nosso troféu Fita Azul.
No ano passado quem levou o troféu foi o veleiro Ka Mua, de José Luiz Ortega. No ano anterior, o Bruschetta, de Evandro Csordas “levou” do SuperBakanna de Alexandre Dangas por apenas 14 segundos, depois de 12 horas de regata.
Assim como no recente Mini Circuito tivemos a participação de um veleiro construído no quintal de casa do velejador Elias Lanzarini, o Troféu da Ilhas vai marcar a estreia em regata do Heart 63, um projeto igualmente construído “em casa” pelo velejador Dico Teixeira. O Heart faz parte da classe Globe 5.80. idealizada pelo velejador Don McIntyre com o barco one design criado pelo projetista polonês Janusz Maderski.
Dico conta que, diferente de outras classes transoceânicas, como a Mini, por exemplo, o foco da Globe 5.80 “é proporcionar um barco econômico, seguro, insubmergível e projetado para grandes travessias. Com a grande vantagem que é a possibilidade de construí-lo em casa”.
E foi o que fez o velejador, que aprendeu os princípios da vela adolescente, em um Holder, na represa de Nazaré Paulista. “Depois tive um Delta 26, que ficava na Bracuhy. Mas, como comecei a viajar muito, vendi o barco e sempre que queria velejar alugava um”.
“Em meio à pandemia, fui apresentado à classe pelo amigo Adriano Lazanha. Ele que me ajudou com a mão na massa na parte estrutural e foi no sítio dele, em Sousas, distrito de Campinas, que construímos o Heart, depois de eu adquirir a planta diretamente da Globe 5.80 e as madeiras do Pedro Frigo, representante da classe no Brasil.
“Desde sempre eu queria construir um barco e vi no 5.80 essa possibilidade. Aí, comprei o projeto em junho de 2020 e as madeiras logo em seguida. Começamos a construção em setembro daquele ano. Depois de construir a parte de madeira e fazer a fibra, trouxemos o barco para a Ribeira para terminar a parte de instrumentos de navegação e marinharia, que foi feita pelo Adriano Marques, do Galpão Ribeira. Foram quatro anos dedicados ao barco”.
Dico conta que realizou recentemente as primeiras velejadas com o Heart e usará as regatas do Troféu das Ilhas para aprimorar o barco.
“A ideia é entender qual a melhor performance do barco, ajustar os equipamentos e aproveitar as regatas de percurso. Vou eu, o Adriano e minha irmã Nívia. Apesar de eu velejar nunca fiz uma regata, mas sou competitivo”, brinca.
“Feita esta experiência, o objetivo é ir fazendo novas travessias cada vez mais longas e pensar se iremos participar de alguma futura regata transoceânica da Classe”, finaliza.
Vale ressaltar que o Heart 63 é o primeiro barco da Globe 5.80 construído no Brasil, mas já há outros dois em andamento. Um em Ubatuba e outro no Rio de Janeiro.
“Como disse, vamos aprimorar os equipamentos durante o Troféu das Ilhas, mas já percebi que o barco é muito legal de navegar e para quem gosta, também de construir”.
Além de dar as boas vindas ao Heart e sua tripulação, também estamos curiosos de ver o novo barco em ação. Para isso falta apenas uma semana!
Velejar é colecionar milhas e memórias e falar sobre vela é também contar histórias legais.
Nesta edição do Troféu das Ilhas daremos boas vindas ao veleiro Beemoth, um Farr 32,5 do comandante Erik Dietmar Alvarez, que descobriu o universo da vela e regatas há não muito tempo, como ele mesmo conta:
“Em 2020, durante o isolamento da pandemia, uma nova paixão começou a tomar forma na minha vida. Passava horas assistindo a vídeos no YouTube, mergulhando no fascinante mundo da vela e sonhando em navegar por mares distantes em meu próprio veleiro”.
O sonho se tornou realidade quando, depois de uma longa busca pelo veleiro ideal encontrou o barco, no Guarujá:
O veleiro, que tina outro nome, estava ancorado no Guarujá, e quando o vi foi amor à primeira vista. Assim que finalizei a compra, trouxe o Beemoth para Ubatuba, onde descobri uma comunidade náutica vibrante no Saco da Ribeira.
Aqui, a cada dia era uma nova aventura. Fiz amizades que se tornaram como uma segunda família, e compartilhei muitas velejadas que me ensinaram não apenas sobre o mar, mas também sobre a vida. A oportunidade de participar de duas regatas no Veleiro Contento, um Ranger 22, selou meu destino nesse novo estilo de vida.
A paixão pela vela se enraizou em mim, e a cada vento que soprava, eu me sentia mais conectado com essa jornada incrível”, resume, entusiasmado o comandante Erik que participará pela primeira vez de uma regata aqui do UIC com os velejadores Luiz Alberto Teixeira Amaro, Tony Aveiro e Alexandre Garcia. Que seja a primeira de muitas!
A 74ª edição da Regata Santos-Rio contou com quatro embarcações de Ubatuba e dezenas de velejadores que estão sempre em nossas regatas.
O Beleza Pura 2 fez história ao vencer a regata na classse BRA-RGS com um tempo corrigido de 40 horas, 40 minutos e 22 segundos.
A gente parabeniza a equipe Beleza Pura 2 e também os velejadores do Maria Preta, que conquistaram a 2ª colocação da RGS Cruiser, a turma do Navegador 11º colocados da BRA-RGS e os tripulantes do Marabá, que, apesar de não terem terminado a regata, mostraram o espírito marinheiro que nos move na vela!
A todos nossas reverências e o convite para que velejem com a gente no Troféu das Ilhas, de 15 a 17 de novembro.
Tá chegando a hora da nossa última regata do ano. Anota na agenda: de 15 a 17 de novembro, venha participar do 15º Troféu das Ilhas, um desafio à navegação pelas ilhas de Ubatuba.
Neste ano serão dois dias de regata e a tradicional premiação com canoa de cerveja para encerrarmos um ano repleto de boas lembranças.
Não foi um dia fácil nem para a comissão de regatas, nem para as 29 equipes que participaram do Mini Circuito #Transformar 2024, pois o vento hoje desafiou as habilidades de todos.
Por volta do meio-dia soprava um vento do quadrante sul e a raia foi montada com linha de largada pouco adiante da saída do Saco da Ribeira, com boia de barlavento no través da Praia da Enseada, um percurso usual na região.
Largada dada, a primeira perna da regata foi, de fato, bastante disputada, apesar do vento fraco. Muitos bordos e marcação entre as equipes que não demoraram muito a cumprir o trajeto e até mesmo a encontrar um vento leste, já na segunda perna, a proximidades do continente, que levou a flotilha rapidamente para o ponto da largada.
Mas, já na terceira perna da regata, o vento diminuiu muito nas proximidades da boia de barlavento, além de começar a rondar muito na raia. Tanto que em determinado momento, tanto quem estava na última perna quanto aqueles que estavam ainda na terceira, velejavam em contravento.
Ainda assim, a primeira regata do dia terminou em pouco menos de uma hora para a Classe BRA-RGS. A flotilha da RGS Cruiser sofreu um pouco mais com o vento rondado e sua regata ainda estava em curso quando a comissão decidiu pela largada da segunda regata para a RGS.
Desta vez, em razão da torção do vento, a boia de barla estava posisionada um pouco mais afastada do continente, no rumo da saída do Boqueirão.
O vento, além de rondar bastante, também diminuiu muito de intensidade e após analisar a situação, a comissão optou por encurtar a regata, fazendo a chegada na perna de contravento.
Já eram quase três da tarde quando, sem condições e próximo do horário limite para largada, foi cancelada a outra regata prevista para a RGS Cruiser.
Ficaram na água apenas os veleiros da BRA-RGS, que conseguiram terminar a segunda regata desafiadora.
Os vencedores das duas regatas do dia de hoje, na BRA-RGS, foram o Serafim, de Peter Diedrich, e o Camorra de Zek Reis.
Em segundo e terceiro, na primeira regata, respectivamente, o Camorra e o Bruschetta, de Fabrizio Marini.
Na segunda regata, em segundo e terceiro, o Serafim e o Cisco Kid, de Norival Júnior.
A regata da RGS Cruiser foi vencida pelo Ubalegria, de Anderson Marcolin. O Alimaya, de João Paulo Guimarães e o Errejota, de Pedro Henrique Gonçalves, foram o segundo e terceiro colocados.
Resultados acumulados
O Mini Cirtuito Ubatuba #Transformar 2024 teve a vitória do Bruschetta, na geral, com o Camorra e Serafim na segunda e terceira colocações.
Na classe BRA-RGS os três primeiros foram Camorra, Bruschetta e Serafim.
Ubalegria, Errejota e Quicker, de José Willians Mendonça, foram os três primeiros colocados na RGS Cruiser.
Finalmente, na premiação especial para os veleiros da Ranger 22, vitória do Lucnan, de Ellezier Solidônio. Em segundo o Ubalegria e em terceiro o Errejota.
“Acho que por mais uma edição, o Mini Circuito teve sucesso ao mostrar que os pequenos veleiros podem proporcionar regatas muito divertidas e muito técnicas também. Tivemos embarcações não apenas de Ubatuba, como de Angra, de Santos, de Santa Catarina, velejadores do Rio, a presença do comodoro Eduardo, da Ranger 22, enfim, 29 barcos não é pouca coisa e também mais uma vez o UIC se esforçou para proporcionar uma boa estada e um bom campeonato a todos”, resume o diretor de vela do Ubatuba Iate Clube, Alex Calabria.
O domingo terminou, como não poderia deixar de ser, com a premiação às equipes e a confraternização na canoa de cerveja.
O Mini Circuito #Transformar 2024 foi uma realização do Ubatuba Iate Clube, com patrocínio master da JBA I Revela, patrocínio da BK Sails e apoio da SigaPower, Nautibelle, Postos Ímola e Mônaco, Balaio de Ideias, Classe BRA-RGS, Ubalegria e CBvela.
O nosso próximo encontro já está marcado: entre 15 e 17 de novembro acontece o tradicional Troféu das Ilhas, a última regata do UIC em 2024 para a qual estão todos mais do que convidados!
A gente sabe que somos uma comunidade unida pelo esporte e pela nossa paixão pela vela. Adoramos estar juntos e em harmonia… até a subida da bandeira Papa… porque aí…
Aí a gente te desafia mais uma vez a participar do nosso Mini Circuito #Transformar ao mesmo tempo em que pensamos aqui em alguns desafios possíveis…
Quem acompanha as midas do Mini Circuito já viu comentários a respeito do novo barco de Zek Reis, que vai estrear em nosso evento e que tem uma história bastante particular para seu novo comandante.
“O barco é o antigo Camorra, um quarter toner da década de 90 que ficava aqui em Ubatuba. Por volta dos anos 2.000, quem tomava conta dele era o meu pai (o marinheiro e velejador Zequinha). Nessa época ele correu regatas com o barco com outros colegas aqui de Ubatuba, e o veleiro acabava sempre bem posicionado, o que lhe deu certa fama”, conta Zek.
“Nessa época, eu com um ano e meio, já saía para velejar com o meu pai em um laser e no próprio Camorra. Mas o veleiro acabou sendo vendido e nunca mais soubemos dele, nem quando velejávamos pelo Rio, ou em outros locais”, relembra Zek, que é atualmente um dos instrutores de vela da Escola de Vela do UIC.
“O tempo foi passando, eu acabei tendo Tabarly, que tem uma história muito importante para mim, pois era do meu instrutor de vela, quando comecei, o Fabio Rivetti, que faleceu cedo. Voltando ao Camorra, há um tempo eu revi um álbum de fotos na casa da minha mãe e vi uma foto dele. Mostrei para a minha esposa e brinquei com ela dizendo que aqule barco ia ser meu”.
Desde a redescoberta da antiga foto, a ideia foi se intensificando até que Zek comentou o assunto com Lars Grael. Lars sabia que o Camorra, já chamado “Bella Luna”, estava no Iate Clube do Rio de Janeiro e conseguiu o contado do proprietário.
“Mas eu precisava vender o Tabarly, o barco que me trouxe muitas alegrias e que carrega uma história gigantesca. Por fim anunciei o barco consegui vendê-lo rapdtamente para o Alex (Calabria) o Daniel (Galante) e o Ramiro (Eli). Entrei em contato com então dono do veleiro e fechamos negócio”, conta Zek.
“Trouxe o barco neste último fnal de semana. Eu, meu pai e o Murilo Layó. Fizemos uma travessia excelente e agora é preparar o barco para o Mini Circuito.
Acho que a mudanca foi positiva e boa para ambas as partes. Estamos todos felizes e tanto eu quanto os donos do Tabarly estamos curtindo muito essa experiência”.
No Mini Curcuito #Tranformar o Camorra será tripulado Por Zek e Zequinha Reis, Ed Carlos e Murilo Layó.
Pensa no seguinte: você acaba de adquirir um veleiro em Caraguá já sabendo que precisará “dar um belo trato” nele. fazer aquela reforma completa, para deixar ele em condições navegáveis, do jeito que você quer. Estando em um litoral com inúmeras marinas e profissionais da área náutica você não teria dúvida né? Vai para o Alambique do Barnabé, no topo da Serra do Catuçaba, com certeza…
Desta maneira inusitada, começa a história de Rogério “Bin Laden” Fernandes com o Europa 27, “Bohemio” que vai navegar pela primeira vez no Mini Circuito #Transformar: “Nem velejei ela ainda….vai ser a primeira velejada, primera regata, batismo total”, conta Rogério, que explica a empreitada diferente para a reforma do barco:
“Eu comprei o veleiro do Nil (Nilberto, um dos sócios do Beleza Pura 2) em 2019, e estava com a grana curta para fazer a reforma. Decidi levar ele para o terreno de um amigo meu, dono do Alambique Barnabé, lá no distrito de Catuçaba, que pertence a São Luis do Paraitinga. Foi ali que iniciamos a reforma do barco”.
Rogério conta que uma das várias passagens inusitadas desta aventura foi quando o veleiro atravessou o centro da cidade, e, entre meio incrédulos e na brincadeira, as pessoas gritavam para o caminhão que o mar era do outro lado…
Mas a reforma foi feita “beeem devagar”, como ressalta Rogério. “Lá nós fizemos toda a parte da fibra, o que durou de 2019 até 2023. A essa altura o Ceará já estava dando uma ajuda por lá e em 2023 trouxemos ele aqui para a Ribeira para concluir a reforma”.
Rogério, que já foi tripulante do Sessentão e teve um Magnum 595, se diz asioso por velejar o Bohemio pela primeira vez: “ansioso pra inaugurar, conhecer, saber se veleja bem, velejar com a galera da Ribeira, muitos que fizeram parte da reforma e com a tripulação do Beleza Pura. Realização completa”.
Vale lembrar que o Bohemio, além de “Bin Laden”, contará com Felipe Degan, Marcelo Rusty e sua esposa Maíra.
Ah, e para finalizar, quando perguntado sobre porque manteve o antigo nome do barco, Rogério dá uma resposta pra lá de coerente: “com esse histórico de tripulantes, uma reforma em um alambique…. nem pensar em mudar…”
Calma lá! Falamos daqueles encontros entre um barco e um velejador em que este é seduzido pelo veleiro, mesmo que ainda o novo proprietário nem tenha pensado na possibilidade de adquiri-lo.
Foi isso o que aconteceu entre Luiz Amaro e o Ranger 22 Contento: “Eu estava reformando um veleiro de um amigo na Supmar (Guarujá) quando vi o Contento em seco. Foi amor a primeira vista”, brinca Luiz, que conta ainda a ajuda do acaso para que a compra do veleiro se concretizasse:
“5 meses depois de vender meu Brasilia 32 ainda não estava pensando em comprar outro, mas aconteceu de eu ver esse barco por acaso. Nunca tinha tido um Ranger, mas já tinha uma boa referencia do que é um modelo, pois sempre acompanhei a trajeetória do Rabugento e do Cisco Kid, além do Lucnan. O fato é que eu não sabia se o Contento estava a venda. Fui pesquisar na internet, vi o anúncio do barco e entrei em contato com o proprietário”.
Negócio fechado, Luiz praticamente apenas fez a pintura de fundo e “voltei as catracas para sua posição original. Depois, trouxe o barco aqui para a Ribeira em dezembro do ano passado”
O Contento vai realizar sua primeira regata em Ubatuba no Mini Circuito #Transformar, mas, não pense que Luiz Amaro é novato nessas águas, uma vez que o velejador já tripulou o Sessentão, Beleza Pura2, Nimbus, Icthus, em torneios como o Sailing Festival, Semana de Vela de Ilhabela, Circuito Santos, Regata do Marinheiro…
“Mas vamos com uma tripulação de amigos, inexperientes, sendo um deles de 15 anos. Será que vai ter premiação para o último colocado”? Questiona Luiz.
Apenas não sabemos se para sua própria equipe, ou para aquelas que Contento pretende deixar para trás… Esse Mini Circuito promete!
Quem quiser saber mais sobre o barco o Instagram do contento é @conteno_ranger22.
E você? Vai ficar de fora? A flotilha está crescendo e as inscrições estão abertas. Participe.